22.8.15

Simplesmente eu.


"De manhã ela espremia laranjas numa cozinha fria"



Eu, assim sem qualquer filtro. Eu, de cara lavada com aquele ar de quem acabou de rebolar do aconchego de uma cama porque é assim que sou no meu dia a dia. Pratico o desapego de mim mesma e sigo os meus dias na correria de um tempo que teima em não fugir dos ponteiros de um relógio. Carrego este meu coração nas mãos, carrego-o comigo no conforto do bolso do casaco como se ali estivesse sempre à disposição de sentir este mundo e de cheirar o seu encanto. Gosto de simplesmente sentir a vida à flor da pele, da leveza de descobrir um mundo desconhecido com uma máquina na mão e uma mochila ao ombro, de esconder todas as memórias nas cores de uma fotografia. Gosto de respirar o perfume daquele olhar, de sentir o batimento taquicárdico ao som do toque das nossas mãos, do silêncio absoluto cá dentro ao encostar a cabeça no teu ombro. Viro cada página enquanto o vento leva as palavras do tempo, mas gosto de sentir que faz-me falta o amor.  Cheiro em mim o peso da palavra saudade, um aroma preso nos poros da pele. Saudades de tanto, de tudo e de nada. De mim, de nós, de vocês. Saudades da terra em que os pés se sentem em casa, saudades daqueles cujo amor me corre nas veias

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"Deito-me cedo contigo o meu sono é leve para a liberdade, acordas-me só de pensares nela. As casas e os bichos apoiam-se em ti. Não fujas não te mexas: vou fixar-te para sempre nessa posição.  Que há? Abrem-se fendas no ar que respiro vejo-lhe o fundo. Tens os olhos vasados. Qual de nós os dois "quero-Te" gritou?"

Luiza Neto Jorge 


4 comments:

  1. No meio da correria esgotante do dia-a-dia, muitas são as vezes que queremos parar. Isto porque damos por nós a pensar..para quê correr tanto se encontramos a felicidade nas coisas mais simples? Beijinhos :)

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